O início de uma nova época desportiva traz sempre incertezas, mas para o internacional brasileiro Pepê, a temporada 2026/27 arrancou sob o signo de uma reencontrada genialidade. A entrar na sua sexta época ao serviço do FC Porto, o extremo de 29 anos demonstrou que a pré-época não serve apenas para afinar máquinas, mas também para redefinir destinos táticos dentro das quatro linhas.
Depois de ter deixado excelentes indicações na vitória sobre o Aston Villa (2-1) durante a apresentação oficial aos sócios, o camisola 11 confirmou o excelente momento de forma ao rubricar uma exibição de gala no embate decisivo da Supertaça frente ao Torreense. Ator principal na conquista do 25.º troféu desta natureza para o historial dos dragões, Pepê esteve omnipresente durante os 90 minutos em Coimbra, provando que a aposta do treinador Francesco Farioli tem bases muito sólidas.
A Regressão Tática que Desbloqueou o Talento
Uma das grandes notas de destaque deste início de ciclo sob a batuta de Francesco Farioli prende-se com a alteração posicional do jogador natural da Foz do Iguaçu. Na época transata, e por necessidades estratégicas do coletivo, Pepê atuou maioritariamente colado ao flanco direito, cumprindo missões defensivas extremamente exigentes, mas abdicando muitas vezes da zona de conforto onde verdadeiramente se consagrou no futebol internacional.
De Volta ao Berço: O Início de Tudo no Grêmio
Foi precisamente a jogar como extremo-esquerdo que Pepê deu nas vistas ao serviço do Grêmio, exibições de alto nível que convenceram a estrutura portista a investir 15 milhões de euros na sua contratação em 2021. O regresso à "casa de partida" provou, de forma inequívoca, que quem sabe nunca esquece.
A assistência decisiva: Em Coimbra, a atuar no flanco esquerdo, o brasileiro assinou o lance capital da partida ao servir Victor Froholdt com um cruzamento milimétrico, tirado a régua e esquadro, culminando num cabeceamento certeiro do médio dinamarquês.
Influência ofensiva: Além do passe para golo, o extremo somou desmarcações de rutura e ações valiosas em zonas subidas, como o passe perigoso endossado a William Gomes antes do primeiro tento.
Rigor tático: O compromisso defensivo e a capacidade de ocupar corretamente os espaços continuam a ser valências muito apreciadas por Farioli.
O Tabuleiro de Farioli e a Gestão do Plantel
Mesmo após a substituição de William Gomes, momento em que seria espectável uma rotação posicional para o lado direito, o técnico italiano optou por manter Pepê na canhota, fixando Borja Sainz no corredor oposto — uma dinâmica invulgar que abre novos horizontes táticos para o restante campeonato.
Resta agora saber se, frente ao Alverca, o posicionamento do camisola 11 à esquerda será para manter. Com Oskar Pietuszewski já totalmente apto e integrado, a concorrência nas alas promete apertar, mas Pepê garantiu uma vantagem competitiva importante.
A Contagem Pessoal de Títulos
A Supertaça conquistada anteontem representou, em termos oficiais, o oitavo troféu de Pepê com a camisola azul e branca. No entanto, em declarações à assessoria de imprensa do clube, o internacional canarinho fez questão de contabilizar «nove títulos».
O jogador incluiu na contagem a Supertaça de 2024 frente ao Sporting — uma reviravolta épica de 4-3 em Aveiro —, na qual não participou ativamente por ter chegado mais tarde à pré-época após representar a Seleção Brasileira na Copa América.
«Estou muito feliz por mais esta conquista com a camisola do FC Porto. O grupo está de parabéns, temos trabalhado muito e o resultado está aí. É o meu nono título aqui e espero conquistar ainda mais», frisou Pepê.
Opinião do Editor
A recuperação da melhor versão de Pepê é, por si só, uma das melhores notícias que o universo portista poderia receber para o ataque à nova temporada. Ao longo dos últimos anos, o clube caiu na tentação de olhar para o brasileiro como um mero operário tático polivalente, capaz de apagar incêndios em qualquer setor, o que muitas vezes acabava por diluir a sua magia e clarividência no último terço do terreno. Devolvê-lo à ala esquerda significa libertar o seu instinto natural de desequilíbrio, criatividade e finalização. Se Francesco Farioli conseguir estabilizar este rendimento e esta confiança, o FC Porto não precisa de ir ao mercado procurar um reforço milionário para as alas: tem em casa um talento de topo recuperado para a sua verdadeira matriz de jogo.

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